21/07/2026 Comunicação Tarantina

Cidade do Futuro

Uma roda de conversa sobre cidades do futuro, pensamentos voltados especialmente para Jundiaí, apontou a participação social e os dados públicos entre os meios para uma cidade sustentável.

O encontro ocorreu na Apeoesp Jundiaí no último sábado.

O decano arquiteto Araken Martinho abriu as falas dizendo ser difícil aplicar o planejamento técnico de cidades no capitalismo, que é muito inteligente.

A mediadora e também arquiteta Daniela da Câmara destacou fatores externos que afetam a todos, com impactos maiores sobre grupos mais vulneráveis, como as mudanças climáticas.

Outra dessas questões, diz o agrônomo Afonso Peche Filho, é o uso da Serra do Japi como miopia ecológica para liberar a destruição do restante do território da cidade.

Para ele, a agricultura de produtos precisa dar lugar a uma agricultura de serviços. Há cerca de 50 serviços possíveis de serem prestados, principalmente ambientais e culturais. Basta ver o parque agrário de Barcelona.

Um dos argumentos apresentados foi que o Plano Diretor Participativo, aprovado em 2016, sofreu sucessivas alterações a partir de 2017, descaracterizando, na visão de seus críticos, o processo participativo que lhe deu origem. Inclusive, sua denominação oficial foi alterada, passando a ser chamado de Plano Diretor do Município de Jundiaí. Segundo os debatedores, o crescimento urbano, que muitos consideram desordenado, decorre dessas mudanças, assim planejadas.

O arquiteto Nabil Bonduki disse que a cidade do futuro pode ser uma distopia ou uma utopia realista e citou a campanha na capital contra a concessão de parques à iniciativa privada, que entra em debate também em Jundiaí, como exemplo de mobilização social.

O ex-prefeito de Franco da Rocha, Maurici, destacou o contato com as bases e o uso de meios como o plebiscito e o referendo. E também o ex-prefeito de Várzea Paulista, Eduardo Tadeu, lembrou que a eleição de governador e prefeito terá muito impacto no rumo das cidades.

O presidente do Conselho de Políticas Territoriais, Daniel Mota, disse que a cidade precisa pensar que tem habitantes humanos e não humanos.

A estudante Maqueina Chaves disse ser essencial envolver a juventude. Já a sindicalista Fé Juncal destacou a mesma necessidade para os idosos.

Mirian Ferrari defendeu que a esperança precisa se transformar em ação e que a sociedade deve utilizar todos os meios democráticos de mobilização para construir a cidade que deseja, incluindo manifestações, intervenções artísticas, teatro e outras formas de participação cidadã.

Buscar um rumo que, além de econômico, também seja ambiental e social é desafio das cidades para o futuro, e isso exige muito trabalho participativo.

A conversa foi uma prévia da série de debates Jundiaí 2050, que vem sendo promovida por movimentos sociais.

José Arnaldo de Oliveira