Presença de anestesista é fundamental nas cirurgias veterinárias

Presença de anestesista é fundamental nas cirurgias veterinárias
15 de novembro de 2015 Sumara Mesquita

A medicina veterinária tem avançado de forma surpreendente em todo o mundo. Quando o tema é cirurgia, a presença de um anestesista é um dos grandes diferenciais, como revela a médica veterinária Thaís Zominhan, responsável pelo setor de anestesia do Hospital Veterinário Clinicão & Gato de Jundiaí. Segundo ela, somente o profissional especializado em anestesiologia é capaz de escolher o protocolo anestésico mais seguro de acordo com cada paciente. A anestesia inalatória é uma das modalidades mais utilizadas e pode ser considerada mais segura do que a injetável convencional, que, segundo Thaís, infelizmente ainda tem sido utilizada na medicina veterinária. “Com a anestesia inalatória é possível controlar melhor a profundidade anestésica, uma vez que o anestésico é eliminado pela própria via respiratória, não necessitando de outros órgãos como rins e fígado para que o anestésico seja eliminado. Além disso, o paciente estará intubado para receber o anestésico, o que também nos assegura que as vias aéreas estejam viáveis, além de garantir o aporte de oxigênio necessário. Outra vantagem é que, caso o paciente entre em apnéia (pare de respirar), o anestesista pode colocá-lo em ventilação mecânica até que o paciente volte a respirar espontaneamente”, diz a médica, ressaltando também que com o procedimento inalatório o pós-operatório é mais confortável quando comparado à anestesia injetável tradicional. “O controle da dor também é nossa função e, além do anestésico inalatório, associamos ao protocolo fármacos analgésicos que promovem conforto ao paciente nos períodos pré, trans e pós operatório. Sem dúvida isso torna o procedimento bem menos traumático para os animais, que acordam mais dispostos e vão embora para casa. A recuperação costuma ser bem mais rápida”, explica Thaís.

A presença do anestesista também oferece vantagens para o cirurgião, que contará com o apoio de outro médico durante a intervenção, promovendo maior qualidade e tornando o procedimento mais seguro. “Até pouco tempo o cirurgião fazia todos os procedimentos sozinho. Hoje trabalhamos em equipe, aumentando as chances de sucesso da cirurgia. Não imaginamos mais uma operação sem o anestesista”, afirma Thaís. De acordo com a médica, não existe procedimento anestésico isento de riscos, que podem variar de acordo com a idade e saúde do paciente. “Existem pacientes com algumas particularidades como os que apresentam alterações cardíacas, renais, hepáticas ou ainda doenças endócrinas como a diabetes. Esses pacientes necessitam de um acompanhamento desde o período pré-anestésico, onde serão realizados, além do exame físico, alguns exames complementares que irão indicar se o paciente poderá ser submetido ao procedimento anestésico-cirúrgico ou ainda irão auxiliar na escolha do protocolo mais seguro de acordo com as alterações neles detectadas.  Já anestesiamos animais de 20 anos e, sem dúvida, sem os cuidados de um especialista para escolher o protocolo mais adequado, isso não seria possível”.

Os riscos da anestesia injetável

Há mais de quatro anos o Hospital Veterinário Clinicão & Gato não utiliza a anestesia injetável convencional em sua rotina. De acordo com a anestesista Thaís Zominhan, esse tipo de anestesia traz mais riscos, porque, uma vez aplicada no paciente, não há recuperação de maneira rápida, já que os fármacos precisam ser metabolizados pelo fígado e eliminados pelos rins, e segundo ela, o animal pode sentir dor e todos os estímulos cirúrgicos durante o procedimento. O animal não se movimenta por estar contido farmacologicamente. “A Anestesia injetável convencional é considerada apenas uma contenção química, não promovendo a anestesia, caracterizada por analgesia (ausência de dor), hipnose e relaxamento muscular”.

A médica revela que os riscos de morte também são maiores com a anestesia injetável convencional. “O animal pode acordar com muita dor e, no caso de um paciente idoso ou cardiopata, os riscos são imensos pelas alterações cardiovasculares e respiratórias que esses fármacos promovem”.

Presença de anestesista é primordial

A presença efetiva de um veterinário anestesista é um dos grandes diferenciais nas cirurgias atuais. Em Jundiaí, o Hospital Clinicão & Gato é o primeiro da região a contar com um profissional efetivo do segmento. O gerente do Hospital, Fernando Farias, conta que os tutores dos animais são mais informados hoje em dia e exigem qualidade em todas as etapas. “Se vai haver cirurgia, a primeira coisa que perguntam é como será a anestesia. Os clientes exigem qualidade e percebem a diferença. Sabem que temos anestesista 24 horas e estão cientes da importância do anestesista na equipe cirúrgica”, conclui.

 

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